João da Costa Gomes Leitão

 

João da Costa Gomes Leitão nasceu em 1805 em Balazar, pequena aldeia próxima ao distrito de Braga – Portugal. Figura controversa na história de Jacareí, muitos o têm como um cidadão benemérito e outros o execram como um homem que traficava escravos e emparedava pessoas em sua mansão. Muitas dessas histórias, frutos da imaginação popular, transpassaram o tempo e nos chegaram enlameadas de inverdades.

Existem poucas informações acerca de suas atividades iniciais, sabendo-se apenas que o filho de Domingos da Costa Gomes e Josefa Maria Leitão era um tropeiro de burros de carga que transportavam café, momento em que fez negócios em nossa região. Homem ambicioso e desprovido de cultura formal, acabou por amealhar grande fortuna em pouco tempo.

Antes dos trinta anos, sem propriedades, já estava casado com Dinah Maria da Conceição, sobrinha do 1° Barão de Jacareí, Bento Lúcio Machado, com quem teve oito filhos (Lindonice, Amélia, Francisca, Maria Osória, Anna Leopoldina, Josephina, José e João Jr., todos casados, exceto o último). Em algumas décadas, entretanto, já era detentor de grande fortuna, participando expressivamente em vários setores da cidade.
Gomes Leitão foi um grande fazendeiro que dominou a região do Alto-Paraíba, proprietário de vasta extensão de terras. Em Jacareí foi comerciante e negociante de café além de banqueiro, inspetor de obras, vereador, delegado e juiz. Apesar de não exercer função militar, era alferes da Guarda Nacional.

Acredita-se que sua fortuna se deve à prática da agiotagem e ao tráfico de escravos, motivo este que o teria desqualificado para o recebimento de um título nobiliárquico. No entanto, em 1854 foi-lhe negada a acusação de traficante. A seu pedido, a Câmara Municipal até expediu uma certidão declarando-o “digno de consideração pública pelos muitos atos de filantropia praticados em beneficio desta população”.

Considerado o maior escravocrata do Norte da Província, na década de 1860, após o efetivo fim do tráfico negreiro, passou a investir em outros negócios como a companhia de transporte fluvial entre Jacareí e Cachoeira e a construção do trecho paulista da Estrada de Ferro São Paulo – Rio de Janeiro. Por meio de sua casa bancária, emprestava dinheiro mediante hipoteca de escravos ou propriedades. Sua fortuna lhe permitiu adquirir várias fazendas (Velha, em São José dos Campos; Santo Antonio, Santa Clara e Monteiro em Caçapava; Santo Agostinho e Rio do Peixe em Santa Isabel; Caeté e Cachoeira em Santa Branca e Ribeirão da Prata em Jacareí), casas (no Largo da Matriz, Vila do Patrocínio, Santos e na Rua da Candelária no Rio de Janeiro) sem contar o seu majestoso palacete na Rua da Ponte (Solar Gomes Leitão) e sua quinta no Bairro do São João, posteriormente conhecida como Chácara Xavier, onde passava os finais de semana.

Benfeitor, doou metade da quantia necessária para a compra do terreno da Santa Casa de Misericórdia, mandando fazer o altar de sua capela e ajudando no sustento dos doentes do hospital. Para a Igreja Matriz fez donativos para o levantamento de sua parte frontal, além de doar o forramento do teto e dois sinos.
Leitão também tem seu nome marcado na história da cidade por sua participação na transposição do Rio Paraíba e também por financiar voluntários de Jacareí e do Vale do Paraíba na Guerra do Paraguai.

Por uma notícia de jornal recentemente resgatada pela historiadora Ana Luíza do Patrocínio, soube-se que o “coronel” Gomes Leitão tentou o suicídio em 1872 com um tiro de revólver na cabeça, quatro meses após sofrer uma severa paralisia, possivelmente um derrame cerebral. Na ocasião foi salvo pelo Dr. Luís Pereira Barreto, jovem médico casado com uma de suas netas.

Apesar da fama, o contraditório Leitão, em 1873, seis anos antes de sua morte, deixou testamento libertando vários cativos negros. Já viúvo, deixou como herdeiros, quatro filhas e muitos netos. Alguns de seus descendentes receberam títulos de nobreza, como a Baronesa de Castro e Lima e a Condessa Moreira Lima, ambas residentes em Lorena. Seu bisneto, Armando de Salles Oliveira, foi Governador do Estado de São Paulo.
João da Costa Gomes Leitão faleceu em 26 de abril de 1879, sendo sepultado no Cemitério do Avarehy. Entre seus bens ainda constavam mais de 300 escravos.

 


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