Biagino Chieffi

Paulistano do Brás, Biagino Chieffi nasceu em 9 de outubro de 1916. Seus pais, os italianos Antonio Chieffi e Josefina Grandinetti Chieffi, provenientes de Palermo, tiveram outros seis filhos: Antonio, Armando, Nelson, “Ziloca”, Carmem e Elza.

A Fábrica de Fogos Caramuru era propriedade de seu pai. Ainda jovem, assumiu o controle dos negócios e no decorrer dos anos criou outras empresas na área pirotécnica, como a “Índios” e a “Marco Polo”, com unidades nas cidades de Santa Branca, Santa Isabel e Santo Antonio do Monte. Em Jacareí também foi sócio da Litotipográfica Jacareí, da Imcomtex e da Fábrica de Armas Modernas – FAM. Além das atividades empresariais, criou três grandes loteamentos, com mais de 1200 terrenos: o Jardim Paraíso, o Jardim Yolanda e o Parque Caramuru.

Amante dos bailes carnavalescos, um deles se ornou especial. Embora noivo, conheceu e apaixonou-se pela bela caçapavense Yolanda Capelli, casando-se em 24 de setembro de 1939.

Entretanto, nem só de glórias viveu o empresário, que também sofreu grandes revezes financeiros. Na falência material, descobriu um tesouro até então desvalorizado: os amigos, inclusive seus funcionários, sempre próximos e leais. Junto deles, Biagino anualmente comemorava o dia 31 de março, data de seu real nascimento. Pela fidelidade e dedicação, cada um de seus 80 funcionários recebeu um lote de terreno no Jardim Paraíso. Além dos amigos, sempre contou com o apoio e orações da esposa, tornando-se devoto de Nossa Senhora Aparecida após a recuperação da empresa.

Apesar da grande popularidade em Jacareí, nunca quis exercer ou disputar qualquer cargo político, preferindo dar ao povo grandiosas Festas da Padroeira, a maior delas em 1960. No Trianon Clube, onde foi presidente, realizou inesquecíveis carnavais, com bailes e desfiles de fantasias. Incentivou, também, o carnaval de rua, organizando em 1980 um grande desfile de escolas de samba da cidade, trazendo vários artistas como jurados. Promovia os desfiles e torcia por sua escola de coração: GRES Unidos de Santa Helena.

Biagino era um “bon vivant” e transbordava carisma. Assim fez um grande círculo de amigos, tanto em Jacareí como na cidade de São Paulo, onde era próximo de muitos artistas da extinta Rede Tupi, sendo inclusive padrinho de casamento do humorista Ari Toledo e do apresentador Raul Gil. Morava em São Paulo, em um amplo apartamento na Avenida Paulista e em Jacareí, dentre outros lugares, residiu em uma ampla casa na Praça Anchieta, além da Chácara Itapeva, onde reunia os amigos para um carteado regado a Grant’s, seu whisky preferido. Em seus aposentos, voltados para o Rio Paraíba, gostava de apreciar a paisagem e fumar seu inseparável Minister.

Enquanto Biagino cuidava dos negócios, dona Yolanda realizava suas obras sociais, principalmente junto aos asilos, igrejas e Santa Casa. Juntos, o casal almejava criar um asilo para abrigar casais de idosos desamparados. Após inúmeras dificuldades, em 1995 inaugurou-se a Capela Nossa Senhora da Imaculada Conceição Aparecida e em 12 de outubro de 1998 foi fundado o Lar São Vicente de Paulo, atualmente desativado.

Apesar de amar a vida intensamente, Biagino não abandonava o vício do cigarro, apresentado graves problemas cardíacos e pulmonares, inclusive sendo submetido a uma cirurgia no coração. Mesmo assim, teimoso e inquieto, continuou a abusar do tabaco até falecer em 11 de abril de 1984, aos 67 anos, no Hospital Beneficência Portuguesa em São Paulo.

Após sua morte, seus negócios passaram a ser administrados por sua esposa. Falecida Dona Yolanda em 2006, transferidas as empresas para outros empresários, na falta de herdeiros diretos, através de um testamento, o restante de seus bens foi deixado para amigos e funcionários mais próximos.

A atuação do casal deixou marcas na sociedade jacareiense. Em 1970, como forma de agradecimento, a Câmara Municipal outorgou a ambos os títulos de “Cidadão Jacareiense”. Biagino também foi homenageado com nome de logradouros públicos em Jacareí e Santa Branca.


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